segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sonhos de Akira

Ele começa com um dos sonhos mais sublimes e com pouquíssimas falas. O único diálogo (estaria mais para monólogo) é de uma mãe aconselhando o filho a não sair de casa. Quando chove e faz sol ao mesmo tempo as raposas se casam e não gostam de serem vistas. O aviso só desperta a curiosidade do menino que observa uma linda cerimônia impecavelmente coreografada. Assim começa o filme com "Um raio de sol através da chuva" e já estamos arrebatados pelas imagens.
O conto seguinte não faz menos do que o primeiro. "O jardim das pessegueiras" mostra um menino que chega em uma plantação de pessegueiros, pessegueiros que seus pais cortaram. Lá ele se encontra com um grupo de "espíritos" que representam as pessegueiras cortadas, e de novo uma bela coreografia ainda mais intrincada toma conta da tela.
Os sonhos vão se seguindo, e percebemos a diferença entre eles. As diferenças correspondem a diferente fases da vida do cineasta. Diferença de tempo e percepção da vida.
Seguem outros sonhos como "A tempestade", que mostra uma entidade que tenta seduzir um homem para a morte;  "O túnel", onde um capitão se confronta com seu pelotão morto em combate; "Corvos",  onde um pintor se encontra com um Van Gogh interpretado por Martin Scorcese e passeia pelos quadros do pintor; "Monte Fuji em vermelho", mostra um grupo de pessoas fugindo de um vulcão em erupção e catástrofe nuclear ao mesmo tempo; "O demônio que chora", onde a radiação deixou as pessoas com chifres; e "O vilarejo dos moinhos", onde um homem chega ao vilarejo e descobre que todos lá vivem sem nenhuma das invenções de hoje, nem sequer eletricidade.
O filme retrata em uma das cenas a simplicidade de um povo que vive inteiramente com a natureza, sem precisar de eletricidade, máquinas para colheita ou etc. Onde o rapaz que chegou no vilarejo, apesar de não concordar os custumes e tradições daquele povo acabou cedendo mesmo que por uma pequena crença deles.

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